
Mulheres que sofrem sozinhas adoecem mais: o poder (esquecido) de estarmos juntas
Há um tipo de solidão que quase ninguém fala.
Não é a solidão óbvia de estar fisicamente sozinha.
É mais subtil do que isso.
É a solidão de quem está sempre rodeada de pessoas… mas raramente se sente verdadeiramente vista.
A solidão de quem partilha o dia a dia… mas não partilha o que realmente sente.
A solidão de quem aprendeu, sem dar conta, a lidar com tudo por dentro.
E muitas vezes, essa solidão nem é reconhecida.
Parece apenas “cansaço”.
“Falta de energia”.
“Mais uma fase mais exigente”.
Mas há algo mais profundo a acontecer.

A solidão que não se vê – nem sempre se reconhece
Muitas mulheres vivem anos neste estado sem lhe dar um nome.
Funcionam.
Cumprem.
Estão presentes para todos.
Mas por dentro:
– sentem-se desconectadas de si mesmas
– vivem em constante agitação mental
– têm dificuldade em abrandar ou simplesmente estar
– sentem que estão sempre “a ir”, mas não necessariamente a sentir
E, acima de tudo, habituaram-se a não partilhar isso. Não por falta de pessoas à volta. Mas por falta de espaços onde possam realmente baixar as defesas.
Quando o corpo começa a falar
No seu livro When the Body Says No, Gabor Maté explora uma ligação profunda entre stress, emoções reprimidas e doença.
Uma das ideias centrais do seu trabalho é inquietante: quando vivemos demasiado tempo desconectadas de nós mesmas – e sem espaço para expressar o que sentimos – o corpo muitas vezes acaba por manifestar aquilo que ficou por dizer.
Não se trata apenas de “stress”. Trata-se de um padrão contínuo de:
– silenciar emoções
– adaptar-se constantemente aos outros
– e viver sem verdadeiro espaço de expressão e ligação
Ao longo do tempo, esse padrão cobra um preço.
O corpo acumula tensão.
O sistema nervoso permanece em alerta.
E a sensação de desconexão torna-se o “normal”.
O problema não é só interno – é relacional
Há algo essencial que muitas abordagens ignoram: A regulação emocional não acontece apenas dentro de nós.
Ela acontece em relação.
O nosso sistema nervoso é profundamente influenciado pela qualidade das nossas interações.
Sentir-se vista, ouvida e segura na presença de outras pessoas não é um “extra” – é uma necessidade biológica.
E quando essa necessidade não é satisfeita, o impacto não é só emocional.
É físico.
É mental.
É energético.
Porque é que tantas mulheres fazem isto sozinhas?
Porque foi isso que aprenderam. A serem fortes. A não incomodar. A dar conta.
Mas também porque raramente tiveram acesso a espaços verdadeiramente seguros.
Espaços onde:
não há julgamento
não há comparação
não há necessidade de “estar bem”
Sem esse tipo de espaço, é natural que o padrão continue: sentir… sozinha.
O poder (esquecido) de estarmos juntas
Quando uma mulher entra num espaço consciente com outras mulheres no mesmo caminho, algo profundo acontece.
Não é apenas conversa. Não é apenas partilha. É o corpo a reconhecer segurança. É o sistema nervoso a abrandar. É a mente a deixar de estar em constante vigilância.
E, muitas vezes, é a primeira vez em muito tempo que há espaço para simplesmente ser – sem máscaras.
Este tipo de experiência, seja em retiros presenciais ou em programas online bem sustentados, cria algo que não pode ser replicado sozinha: Co-regulação; Espelhamento; Validação; Presença.
E isso muda tudo.
Não é dependência. É reconexão
Há uma ideia errada de que precisar de outras pessoas nos torna mais frágeis. Mas a realidade é o oposto. Quando estamos em ambientes seguros e conscientes:
– tornamo-nos mais estáveis
– mais claras nas nossas decisões
– menos reativas
– mais conectadas ao nosso próprio centro
Porque já não estamos a operar em modo de sobrevivência. Estamos a operar a partir de segurança interna.
O que começa a mudar
Quando deixas de viver tudo sozinha, começas a notar mudanças subtis – mas profundas: o corpo relaxa com mais facilidade; a mente desacelera; surge mais clareza; a relação contigo torna-se mais gentil; há mais presença no dia a dia…
E talvez o mais importante: deixas de sentir que tens de carregar tudo.
O verdadeiro ponto de viragem
Muitas mulheres procuram soluções individuais para um problema que, na verdade, é também coletivo.
Tentam meditar mais. Organizar-se melhor. Gerir melhor o tempo.
Mas continuam sozinhas no processo.
O verdadeiro ponto de viragem acontece quando percebem:
não é apenas sobre o que fazem…
é sobre o contexto em que estão.
E o contexto certo acelera o processo.
Um espaço diferente
É exatamente esse tipo de contexto que crio nos meus retiros e nos programas Yoga Living com o meu método Calm & Clear.
Um espaço onde: o corpo pode finalmente abrandar; a mente pode encontrar clareza; e onde não tens de fazer este caminho sozinha.
Porque a transformação não acontece apenas através de práticas. Acontece também através da experiência de te sentires segura e apoiada.
Um convite
Se sentes que há algo aqui que ressoa contigo, talvez seja um sinal de que já não faz sentido continuar a fazer tudo sozinha. E se quiseres aprofundar este caminho com mais presença e consistência, convido-te a juntares-te à minha comunidade.
👉 Podes fazê-lo aqui: Link Comunidade
É um espaço mais íntimo, onde partilho de forma mais próxima – e onde começas, aos poucos, a sentir que não tens de fazer este caminho sozinha.
E se sentires o chamado para ir mais fundo, os meus retiros e programas são um espaço para isso: um lugar onde podes voltar a ti…
com outras mulheres que também estão prontas para o mesmo.
Porque há uma força silenciosa que emerge quando nos juntamos. E talvez seja exatamente essa força que tem faltado.
Susana Filipe
Yoga & Regulação do Sistema Nervoso
Senior Experienced Yoga Teacher certificada pela Yoga Alliance International
www.yogalivingschool.com