
E se não precisasses que a tua vida abrandasse para te sentires mais calma?
Durante muito tempo, associei a calma a ter menos coisas para fazer.
Um dia mais tranquilo. Menos responsabilidades. Mais tempo para mim.
Como se primeiro fosse preciso a vida dar-me espaço para, finalmente, eu conseguir respirar.
Hoje vejo a calma de outra forma.
A minha vida não precisa de estar em pausa para eu me sentir em paz dentro dela.
E talvez esta seja uma das mudanças mais importantes que podemos fazer: deixar de esperar que as circunstâncias mudem para começarmos a mudar a forma como vivemos dentro delas.

Quando a calma começa a fazer parte da tua vida
Imagina começares o dia sem entrares imediatamente em modo “fazer”.
Conseguires estar numa conversa sem uma parte de ti já estar a pensar no que tens de fazer a seguir.
Perceberes que não precisas de responder imediatamente a tudo e a todos.
Dizeres “não” quando precisas, sem passares o resto do dia a questionar a tua decisão.
Chegares ao final de um dia cheio cansada, talvez – mas não completamente drenada de ti.
E conseguires parar sem culpa.
Não porque deixaste de ter responsabilidades.
Mas porque começaste a relacionar-te de outra forma contigo, com o teu corpo e com os teus dias.
É esta a calma que me interessa.
Não aquela que só existe quando tudo à nossa volta está bem.
Mas aquela a que conseguimos regressar no meio da vida real.
Para mim, tudo começou por aprender a parar
Não parar quando já não aguentava mais.
Não esperar que o corpo gritasse descanso.
Mas introduzir pequenas pausas de forma tão natural nos meus dias que deixaram de ser uma solução para o cansaço e passaram a fazer parte da forma como vivo.
Uma respiração consciente.
Um momento para sentir o corpo.
Uns minutos de silêncio.
Não responder imediatamente.
Perguntar-me: “Do que preciso agora?”
Pequenas coisas.
Mas que, repetidas, começaram a mudar coisas muito maiores.
Passei a escutar-me mais.
A reagir menos.
A perceber melhor os meus limites.
A tomar decisões com mais clareza.
E, acima de tudo, a relacionar-me comigo com mais respeito.
Mas parar é apenas o início
Ao longo do meu próprio caminho – e do trabalho que hoje faço com outras mulheres – fui percebendo que a transformação não acontece através de uma única prática.
Há um caminho.
Primeiro, precisamos de abrandar e criar espaço.
Depois, voltar ao corpo e à nossa energia.
Há coisas que precisamos de aprender a soltar, em vez de continuar a carregar.
Precisamos de espaço para nos escutarmos e encontrarmos clareza.
E, finalmente, tudo isto precisa de sair dos momentos de prática e começar a fazer parte da forma como vivemos.
É aí que a mudança deixa de ser apenas aquele momento em que fazemos yoga, meditamos ou respiramos profundamente.
Começa a aparecer numa conversa.
Num limite que respeitamos.
Numa decisão que tomamos com mais confiança.
Na forma como atravessamos um dia difícil.
Na maneira como cuidamos de nós sem esperar chegar ao limite.
Talvez a vida não precise de mudar tanto quanto imaginas
Talvez não precises de uma vida completamente diferente.
Talvez queiras continuar a trabalhar onde estás, a cuidar das pessoas que amas, a ter projetos, responsabilidades e sonhos.
Mas viver tudo isso sem te perderes de ti pelo caminho.
Com mais espaço.
Mais presença.
Mais energia estável.
Mais clareza.
Mais respeito por aquilo de que precisas.
Foi isto que aprendi: a calma não é um lugar onde chegamos quando finalmente está tudo resolvido.
É uma forma de aprender a estar na nossa própria vida.
E começa, muitas vezes, por algo muito simples:
parar o suficiente para voltares a ouvir-te.
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Susana Filipe
Yoga & Inner Calm
Senior Experienced Yoga Teacher certificada pela Yoga Alliance International
www.yogalivingschool.com